sexta-feira, 1 de abril de 2011

AVALIAÇÃO - Parte II

Critérios sócio-afetivos:

Serão observados em ambiente de sala de aula através das intervenções dos alunos, do seu comportamento, seu empenho, trabalhos de casa, faltas de material, assiduidade e pontualidade, trabalhos de grupo e de pesquisa. Estes critérios poderão fazer parte da ficha avaliativa mencionada na postagem AVALIAÇÃO - parte I.

􀂾 Traz o material necessário para aula;

􀂾 É assíduo e pontual;

􀂾 Cumpre as tarefas propostas;

􀂾 Respeita os outros;

􀂾 Ajuda na realização das atividades;

􀂾 É atento;

􀂾 Participa (acompanha, questiona, responde);

􀂾 É persistente;

􀂾 Demonstra capacidade de realização;

􀂾 É disciplinado;

􀂾 É confiante;

􀂾 Procura soluções/tem espírito de iniciativa;

􀂾 Dinamiza as atividades (é voluntário, intervém, resolve);

􀂾 Tem espírito de observação;

􀂾 Confronta opiniões.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ele era um ESCOTEIRO!


"Uma vez escoteiro, sempre escoteiro!"

"O escoteiro sorri na desventura"

Ele partiu para o Grande Acampamento.
José de Alencar foi um grande homem, um exemplo de lealdade, procurava andar ao lado da verdade e não tinha medo do futuro!
Em sua vida pública foi visível a presença da Lei Escoteira, admitida como código de conduta para quem é escoteiro.

Lei Escoteira:

  1. O Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que a própria vida.

  2. O Escoteiro é leal.

  3. O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.

  4. O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.

  5. O Escoteiro é cortês.

  6. O Escoteiro é bom para os animais e plantas.

  7. O Escoteiro é obediente e disciplinado.

  8. O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.

  9. O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.

  10. O Escoteiro é limpo de corpo e alma.

Que seu exemplo de luta e coragem estimule a muitos!!!

Nós escoteiros sabemos que o importante não é a hora da morte, mas o legado de vida que vamos deixar nesta terra!

Incêndio no Palácio Universitário -Rio de Janeiro


É uma grande perda cultural e educacional...

O "Palácio Universitário", prédio néoclássico do século XIX, sedia o campus Praia Vermelha da UFRJ, localizado em Botafogo na Zona Sul do Rio, ao lado do Pão de Açúcar. Era o antigo Instituto de Psiquiatria Pedro II.

O Palácio Universitário foi construído no século XIX, inicialmente como projeto de um hospital para doentes mentais, a Santa Casa de Misericórdia. Com a desocupação do local, em 1880, o engenheiro Paulo Freitas teve a idéia de construir ali o campus da primeira universidade brasileira. Em 1949, a Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi instalada no lugar em que funcionava o hospício. Mais tarde, o Palácio Universitário foi tombado como patrimônio nacional por seu valor histórico.
Atualmente o Palácio Universitário abriga a Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Escola de Administração, Pedagogia, Editora UFRJ e o Fórum de Ciência e Cultura e estava passando um processo de restauração.

O Prédio foi atingido por um incêndio de grandes proporções na segunda feira 28/02; até o momento os bombeiros não conseguiram apagar totalmente o fogo.

Para mim educadora é triste saber que a faculdade de Educação foi totalmente destruída, juntamente com o Fórum de Ciência e Cultura.

Quando você estiver no Rio de Janeiro não deixe de conhecer a UFRJ – Campus da Praia Vermelha.


Sala do Fórum de Cultura e Ciência

segunda-feira, 28 de março de 2011

O gestor pedagógico e a construção da escola inovadora

A gestão pedagógica, tem passado por um momento de reflexão e redefinição do seu papel no contexto escolar, pois ao dirigirmos nosso olhar para o desempenhar desta função dentro da escola, encontramos um profissional que muitas vezes tem clara consciência das suas responsabilidades e atribuições, mas que não consegue organizar plenamente seu trabalho e dar vazão a sua competência devido as urgências do dia-a-dia escolar.

É na escola, o espaço mais educativo da sociedade, que este gestor deve ter este momento de confrontação e de introspecção, de olhar para dentro de si, para suas ações, suas idéias e concepções, visando perceber-se e construir-se em sua função. Para tanto, fazemos a sugestão de uma metodologia de trabalho que pode auxiliar o gestor em sua ação e também contribuir para efetivação de um ensino de qualidade; esta metodologia é a pesquisa-ação, um tipo de pesquisa que envolve reflexão sobre a prática e uma conseqüente ação criativa, planejada e coletiva.

A pesquisa-ação apresenta um diferencial com relação aos outros tipos de pesquisa, pois sua construção tem a colaboração e a participação dos atores sociais, além é claro do pesquisador que neste caso é o próprio gestor,que não esta ali só para observar e compreender o ambiente, mas sobretudo para mudá-lo em direções que permitam a melhoria das práticas; a pesquisa-ação é um trabalho realizado coletivamente, e que apresenta como resultado final um aprendizado que pode produzir uma mudança social e multicultural benéfica à comunidade escolar.

Esta mudança social deve trazer à existência uma escola inovadora, com um gestor que, mais do que um líder da equipe docente, é um porto seguro onde os professores podem encontrar abrigo, apoio, incentivo, sugestões e críticas com visão de direcionamento; o gestor precisa oportunizar aos professores a visão do todo, possibilitando espaço para a auto-avaliação da práxis docente com suas contradições e posições assertivas.

Ao gestor pedagógico desta escola inovadora é delegada a função de organizar o trabalho coletivo dentro da escola, de forma interativa e direta com os professores, visando a qualidade do ensino, observando com eles (docentes) as intenções, as condições reais e possíveis, que auxiliarão a construção de um trabalho eficaz, e de forma indireta com os demais membros da escola.

Precisamos ter claro que o gestor sozinho não pode alcançar nenhuma mudança, pois esta precisa ser construída com os educadores sobre duas vertentes que se completam: a coletiva e a individual. A primeira porque se faz necessário consolidar uma equipe, unificando o que é fragmentado, para que seja construído um trabalho interpessoal e cooperativo. O segundo porque cada educador é um ser sócio-histórico, construído com seus próprios valores, sentimentos, idéias, medos, dogmas, dificuldades e facilidades que precisam ser considerados para uma melhor compreensão da sua prática.

É diante destas duas premissas que enfatizamos a importância do gestor ter uma boa formação pedagógica e de liderança, pois sua relação com os docentes é um processo de ensino-aprendizagem, que precisa transmitir autenticidade e segurança, ele tem que ter atitude e conhecimento das situações que acontecem na escola, pois a este profissional não cabe a omissão, ele precisa instaurar a percepção coletiva sobre as necessidades que levarão àsmudança, isto é, levar o grupo a ver aquilo que ele vê.

Apresentamos até este momento características de formação humana, mas não podemos nos esquecer que o gestor da nossa escola inovadora , também é um ser político, que precisa ter compromisso com as condições de trabalho na escola, conhecendo deveres e também direitos dos seus liderados, bem como as políticas públicas educacionais para que estas sejam estudadas e acompanhadas por todos no contexto escolar

domingo, 27 de março de 2011

AVALIAÇÃO - Parte I

Elimar Cristina Almeida de Lima Tolentino

Fique atento na hora de avaliar seu aluno...

Segue abaixo uma sugestão de elementos que precisam ser observados na hora de avaliar o rendimento e o desenvolvimento nas disciplinas de História , Geografia e Português – séries iniciais

É importante utilizar fichas de avaliação atualizadas diariamente ou semanalmente, os itens abaixo podem fazer parte da sua ficha avaliativa entre outros que você com certeza utiliza.

Critérios cognitivos:

v Memoriza/reproduz a informação;

Não de forma mecânica.

v Utiliza vocabulário específico da disciplina de H.G.P.;

Usar corretamente os termos .

v Identifica a informação em contextos variados;

A informação utilizada em diferentes situações.

v Analisa informações e suas interações;

Consegue ver o alcance da informação.

v Demonstra correcção linguística/técnica;

Falar e ler corretamente.

v Evidencia clareza de ideias;

Consegue posicionar-se.

v Reflete um espírito crítico;

Recebe e faz criticas inteligentes fora do senso comum.

v Seleciona informação;

Diferencia o útil do fútil.

v Relaciona informação;

Influência da informação no cotidiano.

v Demonstra funcionalidade;

Para que serve esta informação.

v Problematiza;

Pensamento elaborado.

v Aplica informação em novos contextos/resolve problemas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova

Elimar Cristina Lima Tolentino

EDUCAÇÃO: UM DIREITO FUNDAMENTAL

A Educação é um direito social fundamental e só foi reconhecido como direito básico, humano, natural e universal, a partir de 1948 – com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Assim, com o reconhecimento de que “a educação é um direito fundamental e garantia do povo”, a educação passou a figurar como caráter gratuito, obrigatório e público. Por muito tempo, o que importou foi a quantidade de pessoas que receberiam informações preliminares ou elementares. No Brasil, mesmo com o Estado de Direito brasileiro sendo arejado pelos ares libertários franceses, a educação republicana – a partir das elites colonizadoras do Estado – nunca reconheceu a necessidade de se ofertar um ensino de qualidade ao povo. No fundo, a educação de qualidade continua como uma bandeira quase restrita dos professores, e isso desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

O Manifesto dos “Pioneiros da Educação Nova”, foi um documento produzido na Conjuntura da Revolução de 30 e proclamado em março de 1932 por educadores em atividade na época. Este documento, atual ainda nos dias de hoje, propunha novas diretrizes de política de ensino no país, exigindo uma política educacional responsável. Entre outros, subscrevem este documento: Anísio Teixeira, Roquette Pinto, Noemy da Silveira, Paschoal Leme, Fernando de Azevedo e Cecília Meirelles.

O MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova tinha por finalidade oferecer diretrizes para uma política de educação. O documento apresentava como causa principal dos problemas na educação a falta em quase todos os planos e iniciativas, da determinação dos fins da educação (aspecto filosófico e social) e da aplicação (aspecto técnico) dos métodos científicos aos problemas da educação.

Os educadores que assinavam o manifesto defendiam novos ideais de educação e lutavam contra o empirismo dominante na época. Para eles, o texto do manifesto propunha não servir aos interesses de classes, mas sim aos interesses do indivíduo, sendo a escola o meio social para isto, ou seja, uma escola com espírito humano, de solidariedade, de serviço social e cooperação.

Os educadores que assinavam o manifesto diziam que a escola tradicional estava instalada para uma concepção burguesa, deixando o indivíduo numa autonomia isolada e estéril. O documento defendia ainda, uma educação com função essencialmente pública, única e comum a todos, sem privilégios econômicos de uma minoria. Os professores com formação universitária, ensino gratuito e obrigatório. Contrários ao costume de muitas escolas da época, os pioneiros pronunciaram-se favoráveis à escola mista e, questionando os princípios da educação católica, defendiam uma educação laica, o que distanciaria a educação de questões religiosas e a aproximaria das questões sociais, dando oportunidades iguais a pessoas de ambos os sexos, e de diferentes credos e camadas sociais.

O Manifesto dos Pioneiros também primava pela relação entre diferentes níveis da educação entre si, e destes níveis com o nível de desenvolvimento psico-biológico dos alunos, bem como pela relação entre a escola, o trabalho e a vida: entre a teoria e a prática, em favor do progresso.

O grupo defendia uma educação nova, por um princípio de renovação, e deste modo, deveria começar na escola, democratizando o acesso, organizando a estrutura interna e as relações desta instituição com a sociedade local, principalmente a partir das famílias e construída sobre os pilares do escolanovismo, também conhecido como Educação Nova, concebido e organizado por educadores (as) europeus e norte-americanos no final do século XIX.

A proposta apresentava uma nova forma de compreender as necessidades da infância e questionava o modo como a escola tradicional trabalhava com as crianças. Para tanto, o escolanovismo tinha por meta a renovação da mentalidade dos educadores mudando suas práticas pedagógicas, cujo objetivo principal era colocar o educando como centro no processo educativo.

Assim, o manifesto foi debatido amplamente entre os estados e foi ganhando força e impulso para um debate nacional sobre a educação no país, inaugurando deste modo, uma nova política de educação no Brasil. A reforma consolidava uma concepção democrática da existência, onde o respeito ao elemento humano, especialmente o respeito pedagógico deveria ser incondicional.

Deste modo, (AZEVEDO, 1932, p. 59) defende, então, “uma reforma integral da organização e dos métodos de toda a educação nacional”, abrangendo “dos jardins de infância à Universidade”, apelando a “um conceito dinâmico” que remete “não à receptividade, mas a atividade criadora do aluno”, no intuito de levar “à formação da personalidade integral” do estudante e “ao desenvolvimento de sua faculdade criadora e de seu poder criador”. Para isso, a escola deveria adotar os “mesmos métodos (observação, pesquisa e experiência), que segue o espírito maduro, nas investigações científicas”.

O “ponto nevrálgico da questão” (AZEVEDO, 1932, p. 60) é o ensino secundário, cuja solução consiste em afastar os “obstáculos” postos pela escola tradicional à interpenetração das classes sociais”, os quais sempre mantiveram a escola secundária como “reduto dos interesses de classe” – de uma “classe, a (burguesia)”. É preciso que a escola secundária seja “unificada”, para assim “evitar o divórcio entre os trabalhadores manuais e intelectuais”. Para realizar essa meta, o Manifesto (AZEVEDO, 1932, p. 61) prevê que o secundário forme em 3 anos “a base de uma cultura geral comum”, diversificando-se, a partir daí, para se adaptar “à diversidade crescente de aptidões e de gostos” e “à variedade de formas de atividade social”.

O documento apresenta também o “conceito moderno de Universidade”, de maneira a discutir o “problema universitário no Brasil”. Tal conceito é todo assentado na idéia de ciência, pois expressões a ela relacionadas estão invariavelmente presentes, sempre que o texto caracteriza o ensino superior. O Manifesto (AZEVEDO, 1932, p. 61-62 ) diz que a educação superior no Brasil não pode “erigir-se à altura de uma educação universitária, sem alargar para horizontes científicos e culturais a sua finalidade estritamente profissional”; as novas instituições de ensino a serem criadas para corresponder “à variedade de tipos mentais” e “necessidades sociais”, deverão abrir “um campo mais vasto de investigações científicas”, servindo não só à “formação técnica e profissional”, mas também “à formação de pesquisadores”, completando assim a “tríplice função” da universidade: “elaboradora ou criadora de ciência (investigação), docente ou transmissora de conhecimentos (ciência feita)” e “vulgarizadora ou popularizadora, pelas instituições de extensão universitária, das ciências e das artes”.

Assim, entre vaias e aplausos, o Manifesto desafiou grande parte dos educadores da época , a repensar seu papel e defender uma educação com função pública onde não houvesse somente privilegiados ricos, mas sim onde todos tivessem acesso à uma educação capaz de transformar o ser humano e o meio em que está inserido.

Referências

ARISTÓTELES. Retórica das paixões. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

AZEVEDO, F. (Org.). A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo. Manifesto dos pioneiros da educação nova. São Paulo: Nacional, 1932.

AZEVEDO, F. A educação e seus problemas. 3. edição. São Paulo: Melhoramentos, 1953.

HADDAD, Sérgio. O Direito à Educação no Brasil. Relatório Final da Relatoria de Educação de DHESC no Brasil. São Paulo: Ação Educativa, 2003.

TEIXEIRA, Anísio e outros. Manifesto dos “Pioneiros da Educação Nova” —

março/1932. Carta: Informe de Distribuição Restrita do Senador Darcy Ribeiro, n. 01.Brasília: Congresso Nacional, 1991.


Colaboração Edela Grau e Neusa Babichi

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

REDEFININDO O PAPEL DA SUPERVISÃO/COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

Autora: Elimar Cristina A. de Lima Tolentino[1]


Atualmente, a coordenação pedagógica ou supervisão educacional, tem passado por um momento de reflexão e redefinição do seu papel no contexto escolar, pois ao dirigirmos nosso olhar para o desempenhar desta função dentro da escola, encontramos um profissional que muitas vezes tem clara consciência das suas responsabilidades e atribuições, mas que não consegue organizar plenamente seu trabalho e dar vazão a sua competência devido as urgências do dia-a-dia escolar.

Este ensaio tem por objetivo trazer à reflexão o papel do coordenador[2] dentro do contexto escolar, explorando com fins de sanar, as mazelas acumuladas por anos de incompreensão e de confusão sobre sua real função dentro da escola, esclarecendo o nível de importância que este individuo tem como articulador entre os vários segmentos da escola, bem como, expor o perfil exigido deste profissional frente aos desafios e necessidades que a sociedade moderna, os alunos e os processos de ensino e aprendizagem impõem à escola, pois:

A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos.Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas.(LIBANEO,2001,P.179)

Primeiramente, há que se desfazer antes de redefinir o papel do coordenador, as implicações negativas que tornaram mal vista a figura do coordenador, tendo até mesmo sua presença indesejada nas salas de aula, pois era tido como um controlador que se fazia presente para fiscalizar e denunciar os “maus feitos” docentes, como se estes existissem; a visão do intruso no espaço que lhe não era pertinente incomodava, e dessa relação confusa e tensa criou-se um mal estar entre docentes e coordenadores, que começa a ser superado agora quando fluem as discussões sobre a função articuladora do coordenador, e devido a alguns profissionais que foram à frente do seu tempo, buscando recriar o caminho que colocaria docentes e coordenadores como parceiros e colaboradores visando o sucesso da escola.

O coordenador pedagógico era tido como um sujeito dissociado de humanidade, como se este não tivesse um historia de vida e um contexto social, e como se ele não fosse também um educador, por isso é necessário resgatar a identidade deste profissional, como afirma Franco (2005) apontando o caminho para a reconstrução da identidade do coordenador:

Proporcionar ao coordenador pedagógico as condições para confrontar-se com a construção de sua identidade é uma maneira de aprofundar as reflexões sobre sua formação como educador; é captar em sua história de vida os anseios produzidos;os projetos pressentidos; os saberes elaborados. É focar não apenas o coordenador e seu discurso, mas sua realidade interpretada.

É na escola, o espaço mais educativo da sociedade, que este coordenador deve ter este momento de confrontação e de introspecção, de olhar para dentro de si, para suas ações, suas idéias e concepções, visando perceber-se e construir-se em sua função, pois “a escola é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação, construído pelos seus componentes, um lugar onde os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão”(LIBÂNEO.2001.p.20), portanto é preciso que a escola , num processo de organização de fazeres, requeira de todos os seus profissionais um “espírito” de colaboração e de compreensão sobre a função de cada um , não visando uma fragmentação, nem individualismos predatórios, mas visando uma melhor distribuição de tarefas que podem e devem ter adequação funcional, pois como nossa experiência já constatou, quando este acúmulo de funções acontece, é sobre o coordenador que pesa esta mescla de papéis e afazeres, deste modo concordamos com Silva:

A escola é um sistema social, exigindo, para subsistir, que os papéis estejam claramente diferenciados e designados. Os indivíduos que desempenham papéis devem ser adequadamente treinados e distribuídos entre as diferentes posições. Enfim, todos os atores podem relacionar-se, uma vez que, aceitem as mesmas normas sobre os objetivos que buscam e os meios que empregam para alcançá-los. (SILVA,1981,P.10)

Quando a escola se reorganiza funcionalmente o coordenador encontra espaço para assumir sua função articuladora entre o administrativo, a comunidade e o pedagógico, sobre as quais vamos discorrer breves considerações, para que possamos ter uma visão da coordenação com sua mobilidade face aos vários segmentos da escola.

ARTICULANDO COM O ADMINISTRATIVO: o coordenador precisa caminhar junto com a gestão escolar e ser um profundo conhecedor dos objetivos da instituição, pois ele é o elo que aproxima a administração do processo de ensino- aprendizagem, tendo uma visão horizontal de toda a escola , pois ao mesmo tempo que acompanha a prática docente e as dinâmicas do corpo vivo que é a escola, pode auxiliar a gestão gerenciando a participação de professores e outros funcionários para que estes participem com ações, sugestões, opiniões e soluções diante das situações e decisões que a escola precisa tomar mantendo sempre o foco sobre a função social da escola: “a educação através do ensino” (VASCONCELLOS.2007.p.88).

O coordenador e o diretor exercem funções diretivas; o primeiro é articulador do trabalho didático pedagógico e o segundo é dirigente responsável pela escola, mas para que ambos os trabalhos tenham êxito, é necessário que as pessoas que desempenham estas funções apresentem características de liderança, tais como autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa; estes dois cargos dentro da escola precisam estar concatenados e em conformidade com os objetivos da instituição.

ARTICULANDO COM A COMUNIDADE: as relações entre a escola e a comunidade precisam ser fortalecidas, e fazendo esta ligação encontramos o coordenador, um profissional que esta próximo as famílias por causa do contato direto com os alunos e também sempre próximo a direção devido a mobilidade de sua função, e nesta posição ele traz a escola para mais perto da realidade que a cerca, e leva as famílias a um maior envolvimento com a vida escolar dos seus filhos, gerando assim um trabalho cooperativo e uma integração necessária entre estas duas instituições responsáveis pela educação, como define a Constituição Federal de 1988 no artigo 205 “ A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Uma das características da gestão participativa é o envolvimento da comunidade na vida da escola, um trabalho que pode ser realizado pela coordenação para auxiliar a direção da escola, tendo em vista a mobilidade deste profissional.

ARTICULANDO COM O PEDAGÓGICO: o coordenador pedagógico está diretamente ligado aos agentes produtores do processo de ensino-aprendizagem, isto é, professores e alunos, ele se coloca como um mediador entre estes agentes e a formação humana; mais do que um líder da equipe docente, é um porto seguro onde os professores podem encontrar abrigo, apoio, incentivo, sugestões e críticas com visão de direcionamento; o coordenador precisa oportunizar aos professores a visão do todo, possibilitando espaço para a auto-avaliação da práxis docente com suas contradições e posições assertivas; por outro lado este profissional tem ligações intensas com os alunos, acompanhando seu desenvolvimento, estimulando-os a enfrentar com mais dedicação os desafios da vida estudantil, estabelecendo uma comunicação com os responsáveis pelos alunos visando a solução de situações que emperrem o pleno desenvolvimento discente.

Ao coordenador é delegada a função de organizar o trabalho coletivo dentro da escola, de forma interativa e direta com os professores, visando a qualidade do ensino, observando com eles (docentes) as condições reais e possíveis, que auxiliarão a construção de um trabalho eficaz, e de forma indireta com os demais membros da escola:

Assim, é possível compreender que a atuação do coordenador pedagógico está ligada aos processos de aprendizagem (Vasconcellos.2007), que acontecem a todo momento na escola e que produzem a formação humana.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Constituição Federal de 1988 ,artigo 205.
FRANCO, Maria Amélia Santoro. Práxis pedagógica como instrumento de transfor- mação da prática docente.In:Reunião Anual da ANPEd, 28.,2005,Caxambu,MG.
Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/28/textos/gt04/GT04-46--Int.rtfA. Acesso em:20 mar.2009 às 19:30.
LIBÂNEO,José Carlos.Organização e gestão da escola:teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa,2001.
PERRENOUD, Philippe. Práticas Pedagógicas, profissão docente e formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 1993.
SILVA, Naura Syria Corrêa. Supervisão educacional. Petrópolis, RJ: Vozes, 1981.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos.Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad Editora,2007.

[1] Professora do Ensino Fundamental séries iniciais da REME, professora da disciplina Organização do Fazer Pedagógico na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do curso Normal Médio da SED-MS Módulo 2009, Assessora educacional e palestrante na área de formação e capacitação de professores pela Principios Assessoria e Apoio Educacional, graduada em Pedagogia pela UFMS em 1997, pós-graduanda em Coordenação do Trabalho na Escola: Ênfase na Gestão Pedagógica e Inspeção Escolar-IESF.Contato: elimarcris@gmail.com
[2] Neste texto utilizaremos a terminologia COORDENADOR PEDAGOGICO para nos referirmos também ao supervisor educacional.