quarta-feira, 23 de março de 2011

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova

Elimar Cristina Lima Tolentino

EDUCAÇÃO: UM DIREITO FUNDAMENTAL

A Educação é um direito social fundamental e só foi reconhecido como direito básico, humano, natural e universal, a partir de 1948 – com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Assim, com o reconhecimento de que “a educação é um direito fundamental e garantia do povo”, a educação passou a figurar como caráter gratuito, obrigatório e público. Por muito tempo, o que importou foi a quantidade de pessoas que receberiam informações preliminares ou elementares. No Brasil, mesmo com o Estado de Direito brasileiro sendo arejado pelos ares libertários franceses, a educação republicana – a partir das elites colonizadoras do Estado – nunca reconheceu a necessidade de se ofertar um ensino de qualidade ao povo. No fundo, a educação de qualidade continua como uma bandeira quase restrita dos professores, e isso desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

O Manifesto dos “Pioneiros da Educação Nova”, foi um documento produzido na Conjuntura da Revolução de 30 e proclamado em março de 1932 por educadores em atividade na época. Este documento, atual ainda nos dias de hoje, propunha novas diretrizes de política de ensino no país, exigindo uma política educacional responsável. Entre outros, subscrevem este documento: Anísio Teixeira, Roquette Pinto, Noemy da Silveira, Paschoal Leme, Fernando de Azevedo e Cecília Meirelles.

O MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova tinha por finalidade oferecer diretrizes para uma política de educação. O documento apresentava como causa principal dos problemas na educação a falta em quase todos os planos e iniciativas, da determinação dos fins da educação (aspecto filosófico e social) e da aplicação (aspecto técnico) dos métodos científicos aos problemas da educação.

Os educadores que assinavam o manifesto defendiam novos ideais de educação e lutavam contra o empirismo dominante na época. Para eles, o texto do manifesto propunha não servir aos interesses de classes, mas sim aos interesses do indivíduo, sendo a escola o meio social para isto, ou seja, uma escola com espírito humano, de solidariedade, de serviço social e cooperação.

Os educadores que assinavam o manifesto diziam que a escola tradicional estava instalada para uma concepção burguesa, deixando o indivíduo numa autonomia isolada e estéril. O documento defendia ainda, uma educação com função essencialmente pública, única e comum a todos, sem privilégios econômicos de uma minoria. Os professores com formação universitária, ensino gratuito e obrigatório. Contrários ao costume de muitas escolas da época, os pioneiros pronunciaram-se favoráveis à escola mista e, questionando os princípios da educação católica, defendiam uma educação laica, o que distanciaria a educação de questões religiosas e a aproximaria das questões sociais, dando oportunidades iguais a pessoas de ambos os sexos, e de diferentes credos e camadas sociais.

O Manifesto dos Pioneiros também primava pela relação entre diferentes níveis da educação entre si, e destes níveis com o nível de desenvolvimento psico-biológico dos alunos, bem como pela relação entre a escola, o trabalho e a vida: entre a teoria e a prática, em favor do progresso.

O grupo defendia uma educação nova, por um princípio de renovação, e deste modo, deveria começar na escola, democratizando o acesso, organizando a estrutura interna e as relações desta instituição com a sociedade local, principalmente a partir das famílias e construída sobre os pilares do escolanovismo, também conhecido como Educação Nova, concebido e organizado por educadores (as) europeus e norte-americanos no final do século XIX.

A proposta apresentava uma nova forma de compreender as necessidades da infância e questionava o modo como a escola tradicional trabalhava com as crianças. Para tanto, o escolanovismo tinha por meta a renovação da mentalidade dos educadores mudando suas práticas pedagógicas, cujo objetivo principal era colocar o educando como centro no processo educativo.

Assim, o manifesto foi debatido amplamente entre os estados e foi ganhando força e impulso para um debate nacional sobre a educação no país, inaugurando deste modo, uma nova política de educação no Brasil. A reforma consolidava uma concepção democrática da existência, onde o respeito ao elemento humano, especialmente o respeito pedagógico deveria ser incondicional.

Deste modo, (AZEVEDO, 1932, p. 59) defende, então, “uma reforma integral da organização e dos métodos de toda a educação nacional”, abrangendo “dos jardins de infância à Universidade”, apelando a “um conceito dinâmico” que remete “não à receptividade, mas a atividade criadora do aluno”, no intuito de levar “à formação da personalidade integral” do estudante e “ao desenvolvimento de sua faculdade criadora e de seu poder criador”. Para isso, a escola deveria adotar os “mesmos métodos (observação, pesquisa e experiência), que segue o espírito maduro, nas investigações científicas”.

O “ponto nevrálgico da questão” (AZEVEDO, 1932, p. 60) é o ensino secundário, cuja solução consiste em afastar os “obstáculos” postos pela escola tradicional à interpenetração das classes sociais”, os quais sempre mantiveram a escola secundária como “reduto dos interesses de classe” – de uma “classe, a (burguesia)”. É preciso que a escola secundária seja “unificada”, para assim “evitar o divórcio entre os trabalhadores manuais e intelectuais”. Para realizar essa meta, o Manifesto (AZEVEDO, 1932, p. 61) prevê que o secundário forme em 3 anos “a base de uma cultura geral comum”, diversificando-se, a partir daí, para se adaptar “à diversidade crescente de aptidões e de gostos” e “à variedade de formas de atividade social”.

O documento apresenta também o “conceito moderno de Universidade”, de maneira a discutir o “problema universitário no Brasil”. Tal conceito é todo assentado na idéia de ciência, pois expressões a ela relacionadas estão invariavelmente presentes, sempre que o texto caracteriza o ensino superior. O Manifesto (AZEVEDO, 1932, p. 61-62 ) diz que a educação superior no Brasil não pode “erigir-se à altura de uma educação universitária, sem alargar para horizontes científicos e culturais a sua finalidade estritamente profissional”; as novas instituições de ensino a serem criadas para corresponder “à variedade de tipos mentais” e “necessidades sociais”, deverão abrir “um campo mais vasto de investigações científicas”, servindo não só à “formação técnica e profissional”, mas também “à formação de pesquisadores”, completando assim a “tríplice função” da universidade: “elaboradora ou criadora de ciência (investigação), docente ou transmissora de conhecimentos (ciência feita)” e “vulgarizadora ou popularizadora, pelas instituições de extensão universitária, das ciências e das artes”.

Assim, entre vaias e aplausos, o Manifesto desafiou grande parte dos educadores da época , a repensar seu papel e defender uma educação com função pública onde não houvesse somente privilegiados ricos, mas sim onde todos tivessem acesso à uma educação capaz de transformar o ser humano e o meio em que está inserido.

Referências

ARISTÓTELES. Retórica das paixões. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

AZEVEDO, F. (Org.). A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo. Manifesto dos pioneiros da educação nova. São Paulo: Nacional, 1932.

AZEVEDO, F. A educação e seus problemas. 3. edição. São Paulo: Melhoramentos, 1953.

HADDAD, Sérgio. O Direito à Educação no Brasil. Relatório Final da Relatoria de Educação de DHESC no Brasil. São Paulo: Ação Educativa, 2003.

TEIXEIRA, Anísio e outros. Manifesto dos “Pioneiros da Educação Nova”

março/1932. Carta: Informe de Distribuição Restrita do Senador Darcy Ribeiro, n. 01.Brasília: Congresso Nacional, 1991.


Colaboração Edela Grau e Neusa Babichi

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

REDEFININDO O PAPEL DA SUPERVISÃO/COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

Autora: Elimar Cristina A. de Lima Tolentino[1]


Atualmente, a coordenação pedagógica ou supervisão educacional, tem passado por um momento de reflexão e redefinição do seu papel no contexto escolar, pois ao dirigirmos nosso olhar para o desempenhar desta função dentro da escola, encontramos um profissional que muitas vezes tem clara consciência das suas responsabilidades e atribuições, mas que não consegue organizar plenamente seu trabalho e dar vazão a sua competência devido as urgências do dia-a-dia escolar.

Este ensaio tem por objetivo trazer à reflexão o papel do coordenador[2] dentro do contexto escolar, explorando com fins de sanar, as mazelas acumuladas por anos de incompreensão e de confusão sobre sua real função dentro da escola, esclarecendo o nível de importância que este individuo tem como articulador entre os vários segmentos da escola, bem como, expor o perfil exigido deste profissional frente aos desafios e necessidades que a sociedade moderna, os alunos e os processos de ensino e aprendizagem impõem à escola, pois:

A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos.Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas.(LIBANEO,2001,P.179)

Primeiramente, há que se desfazer antes de redefinir o papel do coordenador, as implicações negativas que tornaram mal vista a figura do coordenador, tendo até mesmo sua presença indesejada nas salas de aula, pois era tido como um controlador que se fazia presente para fiscalizar e denunciar os “maus feitos” docentes, como se estes existissem; a visão do intruso no espaço que lhe não era pertinente incomodava, e dessa relação confusa e tensa criou-se um mal estar entre docentes e coordenadores, que começa a ser superado agora quando fluem as discussões sobre a função articuladora do coordenador, e devido a alguns profissionais que foram à frente do seu tempo, buscando recriar o caminho que colocaria docentes e coordenadores como parceiros e colaboradores visando o sucesso da escola.

O coordenador pedagógico era tido como um sujeito dissociado de humanidade, como se este não tivesse um historia de vida e um contexto social, e como se ele não fosse também um educador, por isso é necessário resgatar a identidade deste profissional, como afirma Franco (2005) apontando o caminho para a reconstrução da identidade do coordenador:

Proporcionar ao coordenador pedagógico as condições para confrontar-se com a construção de sua identidade é uma maneira de aprofundar as reflexões sobre sua formação como educador; é captar em sua história de vida os anseios produzidos;os projetos pressentidos; os saberes elaborados. É focar não apenas o coordenador e seu discurso, mas sua realidade interpretada.

É na escola, o espaço mais educativo da sociedade, que este coordenador deve ter este momento de confrontação e de introspecção, de olhar para dentro de si, para suas ações, suas idéias e concepções, visando perceber-se e construir-se em sua função, pois “a escola é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação, construído pelos seus componentes, um lugar onde os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão”(LIBÂNEO.2001.p.20), portanto é preciso que a escola , num processo de organização de fazeres, requeira de todos os seus profissionais um “espírito” de colaboração e de compreensão sobre a função de cada um , não visando uma fragmentação, nem individualismos predatórios, mas visando uma melhor distribuição de tarefas que podem e devem ter adequação funcional, pois como nossa experiência já constatou, quando este acúmulo de funções acontece, é sobre o coordenador que pesa esta mescla de papéis e afazeres, deste modo concordamos com Silva:

A escola é um sistema social, exigindo, para subsistir, que os papéis estejam claramente diferenciados e designados. Os indivíduos que desempenham papéis devem ser adequadamente treinados e distribuídos entre as diferentes posições. Enfim, todos os atores podem relacionar-se, uma vez que, aceitem as mesmas normas sobre os objetivos que buscam e os meios que empregam para alcançá-los. (SILVA,1981,P.10)

Quando a escola se reorganiza funcionalmente o coordenador encontra espaço para assumir sua função articuladora entre o administrativo, a comunidade e o pedagógico, sobre as quais vamos discorrer breves considerações, para que possamos ter uma visão da coordenação com sua mobilidade face aos vários segmentos da escola.

ARTICULANDO COM O ADMINISTRATIVO: o coordenador precisa caminhar junto com a gestão escolar e ser um profundo conhecedor dos objetivos da instituição, pois ele é o elo que aproxima a administração do processo de ensino- aprendizagem, tendo uma visão horizontal de toda a escola , pois ao mesmo tempo que acompanha a prática docente e as dinâmicas do corpo vivo que é a escola, pode auxiliar a gestão gerenciando a participação de professores e outros funcionários para que estes participem com ações, sugestões, opiniões e soluções diante das situações e decisões que a escola precisa tomar mantendo sempre o foco sobre a função social da escola: “a educação através do ensino” (VASCONCELLOS.2007.p.88).

O coordenador e o diretor exercem funções diretivas; o primeiro é articulador do trabalho didático pedagógico e o segundo é dirigente responsável pela escola, mas para que ambos os trabalhos tenham êxito, é necessário que as pessoas que desempenham estas funções apresentem características de liderança, tais como autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa; estes dois cargos dentro da escola precisam estar concatenados e em conformidade com os objetivos da instituição.

ARTICULANDO COM A COMUNIDADE: as relações entre a escola e a comunidade precisam ser fortalecidas, e fazendo esta ligação encontramos o coordenador, um profissional que esta próximo as famílias por causa do contato direto com os alunos e também sempre próximo a direção devido a mobilidade de sua função, e nesta posição ele traz a escola para mais perto da realidade que a cerca, e leva as famílias a um maior envolvimento com a vida escolar dos seus filhos, gerando assim um trabalho cooperativo e uma integração necessária entre estas duas instituições responsáveis pela educação, como define a Constituição Federal de 1988 no artigo 205 “ A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Uma das características da gestão participativa é o envolvimento da comunidade na vida da escola, um trabalho que pode ser realizado pela coordenação para auxiliar a direção da escola, tendo em vista a mobilidade deste profissional.

ARTICULANDO COM O PEDAGÓGICO: o coordenador pedagógico está diretamente ligado aos agentes produtores do processo de ensino-aprendizagem, isto é, professores e alunos, ele se coloca como um mediador entre estes agentes e a formação humana; mais do que um líder da equipe docente, é um porto seguro onde os professores podem encontrar abrigo, apoio, incentivo, sugestões e críticas com visão de direcionamento; o coordenador precisa oportunizar aos professores a visão do todo, possibilitando espaço para a auto-avaliação da práxis docente com suas contradições e posições assertivas; por outro lado este profissional tem ligações intensas com os alunos, acompanhando seu desenvolvimento, estimulando-os a enfrentar com mais dedicação os desafios da vida estudantil, estabelecendo uma comunicação com os responsáveis pelos alunos visando a solução de situações que emperrem o pleno desenvolvimento discente.

Ao coordenador é delegada a função de organizar o trabalho coletivo dentro da escola, de forma interativa e direta com os professores, visando a qualidade do ensino, observando com eles (docentes) as condições reais e possíveis, que auxiliarão a construção de um trabalho eficaz, e de forma indireta com os demais membros da escola:

Assim, é possível compreender que a atuação do coordenador pedagógico está ligada aos processos de aprendizagem (Vasconcellos.2007), que acontecem a todo momento na escola e que produzem a formação humana.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Constituição Federal de 1988 ,artigo 205.
FRANCO, Maria Amélia Santoro. Práxis pedagógica como instrumento de transfor- mação da prática docente.In:Reunião Anual da ANPEd, 28.,2005,Caxambu,MG.
Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/28/textos/gt04/GT04-46--Int.rtfA. Acesso em:20 mar.2009 às 19:30.
LIBÂNEO,José Carlos.Organização e gestão da escola:teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa,2001.
PERRENOUD, Philippe. Práticas Pedagógicas, profissão docente e formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 1993.
SILVA, Naura Syria Corrêa. Supervisão educacional. Petrópolis, RJ: Vozes, 1981.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos.Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad Editora,2007.

[1] Professora do Ensino Fundamental séries iniciais da REME, professora da disciplina Organização do Fazer Pedagógico na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental do curso Normal Médio da SED-MS Módulo 2009, Assessora educacional e palestrante na área de formação e capacitação de professores pela Principios Assessoria e Apoio Educacional, graduada em Pedagogia pela UFMS em 1997, pós-graduanda em Coordenação do Trabalho na Escola: Ênfase na Gestão Pedagógica e Inspeção Escolar-IESF.Contato: elimarcris@gmail.com
[2] Neste texto utilizaremos a terminologia COORDENADOR PEDAGOGICO para nos referirmos também ao supervisor educacional.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O GESTOR E A COMUNICAÇÃO

ESTE TEXTO É INTERESSANTE E RICO EM REFLEXÕES
VALE A PENA LER!!!!


Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto et allii

Um líder sabe comunicar-se Para um líder diferenciar-se, sempre há necessidade de comunicação efetiva. A comunicação eficiente aumenta e melhora o relacionamento entre as pessoas. É o poder da comunicação que certamente aumenta a liderança. A eficácia de tal comunicação pode transformar o entendimento em ação. Quando o líder sabe comunicar-se, ele será capaz de: motivar e inspirar as pessoas a colocarem as ações em prática; estabelecer cooperação e confiança; manter o foco sobre as questões; resolver conflitos; oferecer informações úteis; evitar rupturas de comunicação. A comunicação é importante para o exercício efetivo da liderança. Entretanto, saber ouvir é, pelo menos, metade da comunicação. Ouvir é muito importante, na mesma proporção que temos uma boca e duas orelhas. Mesmo com comunicação eficiente, o líder não pode ignorar a existência de conflitos. Resolver conflitos favorece a vida em harmonia. É real que temos uma reação emocional. A prevalença dela pode gerar conflitos. O verdadeiro líder sabe temperar a emoção e a resposta intelectual. Isto é, a maturidade que nada mais é que a emoção temperada pelo intelecto. A mais elevada forma de comunicação é o exemplo.


E a escola, como está?
Dizer que ela está atravessando sérias dificuldades não é pessimismo e sim, realidade. Fazemos parte de um sistema educacional com tradição centralista e temos dificuldades para alterar o quadro, que se nos apresenta. Um relativo número de escolas (e estamos analisando escola pública) tem boa qualidade, o que deveria ser norma. Não é fácil enfrentar problemas como: deficiência de módulo, falta de professores, violência, burocracia excessiva, baixíssimos salários, baixa auto-estima, que, somados, conspiram contra a qualidade desejada. Mas não façamos da realidade uma constante. Procuremos, de todas as formas, otimizar a escola que temos. É nossa obrigação. As novas exigências sociais não permitem a cada um de nós o conformismo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009



Seminário de Formação de Multiplicadores para o Consumo Sustentável Inmetro - MS.

Tema da minha palestra : Etica e Consumo Sustentável

Dia 23 de janeiro de 2009.

A finalidade da Ética é promover o bem-estar(Aristóteles, 350 a.C).

Precisamos viver o HOJE com consciência de que as futuras gerações precisarão de condições básicas de sobrevivência. Não podemos fechar os olhos diante das necessidades do nosso planeta. A Terra é a nossa casa. Nossa única casa. Precisamos desenvolver uma postura ética que promova o bem-estar social, ambiental e econômico.Precisamos consumir aquilo que realmente é necessário.

Desenvolvimento sustentável é aquele que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”.
Comissão Brundtland, 1987 .

Seja vc também um MULTIPLICADOR , divulgue esta idéia: CONSUMO CONSCIENTE É TER UM PLANETA PRA GENTE!!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sarau de Poesia

Uma obra de arte!!!! Assim podem ser apreciadas as poesias que foram compostas pelos alunos do 5º ano A da Escola Marina Couto Fortes. Algumas poesias trazem um toque de criatividade misturada a uma realidade bem próxima deles. No dia 30/11/2008 eles declamaram suas poesias e nos emocionaram muito.

A MINHA VIDA

A minha vida é de
Tristeza, coitado do meu
gato foi roubado
no telhado e o meu
cachorro maltratado
e eu abandonado.

Carlos Eduardo Monteiro

LEMBRANÇAS

O estudante sonhador
Com pinta de pintor
Pinta alegremente
Lembranças da sua infância

Lembranças da comida
Que fazia a cozinheira
Com amor e alegria
Hum!!!Que maravilha.

Lorena Beatriz de Souza Ferreira

O AMOR DO AGRICULTOR

O agricultor
Sonhava em
Ser pintor
Para pintar
Um quadro
De seu amor
E pendurar
No meio
Da sala de estar.

Para todo mundo
Olhar e para
Entender como É lindo o amor
Que ele quer mostrar.

Moça o seu olhar pode mostrar Que para sempre ao meu lado vai estar
E para sempre vai me amar.

Adryanno Souza da Silva

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

AS MAZELAS DA INCOMPREENSÃO

Autora:ELIMAR CRISTINA A. LIMA TOLENTINO
Educadora , Assessora Educacional
E Mãe De Pré-Adolescente

Não somos pais preparados para a função de pais, apenas 5% da população que tem filhos realmente se prepara para tê-los, os 95% restantes encaram a situação com alegria e com a coragem do “ vamos ver no que vai dar”, tornam-se adeptos da educação por tentativas de erros e acertos.
Vamos esclarecer que aprendizagem por tentativas de erros e acertos é uma ferramenta de sucesso na educação regular (escola), mas não funciona quando se trata de filhos, não podemos trabalhar caráter, amor, valores, através de tentativas, somos pais e nossa experiência anterior nos dá respaldo para indicar o que é certo.
‘O ser pai’ nos presenteia com um conjunto de responsabilidades indiscutíveis e para as quais não tínhamos preparo ainda, mas só vamos nos dar conta disso quando nossos rebentos começam a ter opinião e vontade próprias, e é justamente neste momento que somos confrontados com nossa capacidade de compreensão.
Até os 8 anos de idade somos os “mandachuvas” da casa, nossos filhos podem até questionar, mas o peso da nossa palavra e nossa autoridade são facilmente absorvidos e nos sentimos seguros, fortes e começamos ter certeza que será sempre assim. Leve engano!
E é justamente ai que entra nossa falta de preparo para exercer a paternidade, pois nos esquecemos que uma criança cresce, se desenvolve, passa pela pré-adolescencia, adolescência e juventude, mas na nossa cabeça de pais despreparados cremos que sempre serão nossas criancinhas inocentes e indefesas.
Quando os confrontos começam, demonstramos nossa inabilidade com uma completa falta de compreensão, porque simplesmente colocamos nossa individualidade à frente da coletividade que a relação familiar exige. Subimos nos saltos do autoritarismo, muitas vezes praticamos um julgamento injusto e sentenciamos o réu a uma pena não física, pois preferimos massacrar com palavras a bater, mas profundamente dolorosa, causadora de magoas e revoltas, pois as palavras de um pai ou mãe machucam mais do que palmadas e isso tudo porque o “ nosso querer ( de pais) não foi respeitado, e sem diálogo determinamos que o conflito fosse resolvido a nosso favor”, em apenas um segundo jogamos fora os bons ensinamentos que havíamos construído com nossos filhos sobre resolver as dificuldades com diálogo e compreensão, afinal de contas a palavra convence o exemplo arrasta.
As feridas abertas pela falta de compreensão em um momento de confronto, nesta fase do desenvolvimento, podem gerar doenças na alma que dificultarão a socialização e a integração deste jovem em qualquer lugar, inclusive em sua própria casa, porque os pais não serão mais vistos como os amigos de todas as horas, pois a insegurança de ser julgado e incompreendido o perseguirão inconscientemente. Barreiras de comunicação serão construídas e não se assuste se o vizinho te contar uma novidade sobre seu filho.
Em momento algum podemos nos esquecer que o adulto neste relacionamento somos nós os pais, portanto é da nossa parte que vem o equilíbrio, a ponderação, as bases para um diálogo tranqüilo e esclarecedor.
Mas nos esquecemos disso e ficamos indignados quando vemos um filho descontrolado, levantando a voz e imediatamente reagimos com nossa força nada sensível, “vá dormir, você esta de castigo”, sendo que esta fase da vida precisa ser modelada, e quem modela somos nós os pais; deixar um filho sozinho depois de um confronto, é abrir espaço para sentimentos de raiva, no silencio o filho vai pensar as piores coisas que imaginamos, por isso precisamos estar presentes ponderando,mostrando uma solução melhor, ou até mesmo questionando qual a verdadeira intenção do filho e se possível apresentar as conseqüências, e ai sim deixá-lo sozinho com pensamentos saudáveis e a certeza do seu cuidado; este tipo de comportamento é muito positivo pois ,primeiro eles não se sentirão sozinhos, segundo nós estaremos mostrando que as situações podem ser discutidas de forma tranqüila, terceiro estaremos construindo uma relação concreta e duradoura.

Vamos conhecer um pouquinho destas fases criticas na vida dos nossos filhos:

A PRÉ-ADOLESCÊNCIA –
É repleta de descobertas, conflitos, transformações. E muitas das mudanças ocorridas nos filhos, os pais não compreendem e questionam as crianças por isso, causando discussões e problemas dispensáveis.
O problema mais comum que os pré-adolescentes costumam encontrar nesse período é a dificuldade de relacionamento com seus pais que,ora os vêem como crianças irresponsáveis, ora cobram deles atitudes e responsabilidades de adultos. Pais que muitas vezes não exigiam/cobravam atitudes responsáveis e o cumprimento de obrigações, passam a fazê-lo nesta fase, dizendo "você já está grande", o que pode causar revolta nos adolescentes, até pelo fato deles não terem aprendido a serem responsáveis ao longo de sua existência.


A ADOLESCÊNCIA
É o período no qual uma criança se transforma em adulto. Não se trata apenas de uma mudança na altura e no peso, nas capacidades mentais e na força física, mas, também, de uma grande mudança na forma de ser, de uma evolução da personalidade.
É uma extraordinária etapa na vida de todas as pessoas. É nela que a pessoa descobre a sua identidade e define a sua personalidade. Nesse processo, manifesta-se uma crise, na qual se reformulam os valores adquiridos na infância e se assimilam numa nova estrutura mais madura.
A adolescência é uma época de imaturidade em busca de maturidade. No adolescente, nada é estável nem definitivo, porque se encontra numa época de transição. E precisamos compreender que esta mudança toda gera muita angustia interior, afinal de contas não se é criança nem adulto.



Nós pais devemos lembrar que é uma fase passageira, portanto, é importante ter paciência, estar aberto a questionamentos e, por que não, aprender com eles, pois a vida é um eterno aprendizado e ouvir os filhos pode ser um caminho para questionar os próprios valores, melhorar a qualidade de vida e o relacionamento familiar .
Devemos retomar o significado básico da compreensão.
Compreender é ser sensível ao outro.
E isto é tudo que nossos filhos precisam para chegar a adultos bem resolvidos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A FAMÍLIA COMO A PRIMEIRA ESCOLA

Autora: Elimar Cristina Almeida de Lima Tolentino

As mudanças são constantes e inevitáveis.
Mas existem algumas obrigações que não podem mudar, entre elas podemos citar uma extremamente importante e fundamental para o equilíbrio da sociedade atual: A FAMÍLIA COMO A PRIMEIRA ESCOLA.
A família é o primeiro ambiente de aprendizagem por onde o ser humano passa, onde serão construídos valores que o seguirão por toda sua vida, é no ambiente familiar que será moldado o caráter do futuro cidadão, “nem quando envelhecer se desviará dele”.
É no seio da família que o ser humano agrega conhecimentos que o levarão a respeitar o próximo, a consumir por necessidade e não por futilidade, a perceber a verdade como bem maior, a ser responsável por seus atos, a questionar com sensibilidade, a responder com sabedoria, a ouvir antes de falar, a planejar antes de agir, a cultivar bons hábitos alimentares, a ter uma higiene pessoal adequada, a utilizar o banheiro sem esquecer que os outros o utilizarão também, a não falar mal dos outros, ver o lado bom das situações, a cooperar, a valorizar, a reconhecer os próprios erros, a lutar pelo seus direitos...
Este conjunto de práticas é adquirido no convívio com os pais, que desempenham o papel de educadores, de formadores, daqueles que possibilitarão a criança um desenvolvimento harmônico da capacidade física, moral e intelectual.
Isto é indiscutível!!!
Mas a família tem passado por mudanças; surgiram os agregados familiares, as mães precisaram entrar no mercado de trabalho, criaram-se os sub-empregos, o tempo com os filhos hoje é qualitativo e não quantitativo, temos Internet, tv a cabo, até ai a análise das mudanças é normal, mas inspirativa de cuidados, agora a mais trágica mudança relaciona-se a uma inversão de valores é a transferência de responsabilidade.
Por vezes nos questionamos e não conseguimos compreender porquê as crianças de hoje estão tão diferentes, e por que não assumir que estamos vendo crianças mal-educadas, incapazes de desenvolver-se adequadamente, pulando suas faixas etárias, querendo ser o que não são, passivos e inertes para certas coisas, exigentes para outras, imaturos e prepotentes em suas decisões, manipuladores, interesseiros, grosseiros, preconceituosos e descrentes.
A resposta para nossas questões é simples: a família tem procurado transferir para a escola regular uma FUNÇÃO INTRANSFERIVEL.
A escola certamente é um ambiente de aprendizagem, mas a criança precisa chegar à escola com um pré-requisito mínimo chamado de CIDADANIA FAMILIAR.
É na cidadania familiar que a família determina funções, papéis e a hierarquia entre seus membros, é também um espaço social de confrontação de gerações e onde os dois sexos (masculino e feminino) definem suas diferenças e as relações de AUTORIDADE. A família tem o dever de educar os filhos para o convívio social.
Diante desta verdade, discorro minha preocupação com as famílias que matriculam seus filhos na escola, achando que todos os seus problemas serão resolvidos pela “fada ou bruxa” da professora.
Ao longo de 20 anos de trabalho na Educação, foram incontáveis as vezes que ouvi o apelo de pais pedindo que o docente fizesse alguma coisa para o filho escovar os dentes, não responder para os avós, comer fígado, guardar os brinquedos, e por ai vão os mais absurdos pedidos, que poderiam ser resolvidos com uma simples organização do poder “de manda” dentro de casa, mas é mais fácil pedir para outro resolver um problema que é meu.
O perigo disto é assustador, pois quando peço para alguém de fora resolver um problema interno familiar, estou passando para meus filhos a seguinte mensagem: eu não dou conta do recado. Estou transferindo a minha autoridade para uma terceira pessoa que não conhece os hábitos e os valores da minha família.
Daí o resultado que vemos nas crianças e adolescentes da nossa sociedade!
Educar não é fácil, mas é preciso.
Antes de educar nossos filhos, precisamos educar a nós mesmos, pois só podemos dar aquilo que realmente possuímos.
Como pais, não podemos abrir mão do mais sublime papel que nos foi confiado, mesmo que com lágrimas é necessário semear com paciência e muita sabedoria um caráter firme e profundo em nossos filhos.
Cada família que reassumir seu papel como primeira escola, estará contribuindo para uma sociedade mais equilibrada, com jovens educados, verdadeiros em suas atitudes, inteligentes emocionalmente, honestos em seu proceder e com um coração fértil para a obediência.